Corpo Eletrico



SEGURANÇA É MALDIÇÃO

 

 

O diabo conhecido

Parece absurdo afirmar algo assim, mas a verdade é que o apego a segurança é o maior empecilho ao crescimento. Não que devamos viver em eterno risco, sobressaltados e ansiosos, mas quantas das pessoas que prezam tanto a segurança não vivem assoladas pelo estresse só para ter que manter-se supostamente seguros?

Devemos assumir riscos se desejamos crescer. Quando falo de riscos, não é o risco de andar de madrugada, sozinho, numa rua deserta de um bairro de fama duvidosa, nem transar sem camisinha com um desconhecido. Isso não é risco em prol do crescimento, isso é loucura. Imprudência deliberada não traz benefícios.

O tipo de risco que falo aqui envolve a abertura para fazer diferente, abandonar o caminho conhecido, tentar de outro jeito, ter coragem para mudar hábitos arraigados, ter coragem para mudar ou deixar relacionamentos desgastados. Um risco calculado, ponderado. Não parece tão difícil lido, mas é doloroso e desconfortável, por isso escolhemos não fazer, mesmo que nosso atual estado seja também doloroso e desconfortável, mas é a dor conhecida, que aprendemos a suportar, afinal “better the devil I know” – melhor o diabo conhecido.

Parados no Mesmo Lugar

Quantas pessoas vivem uma vida insatisfatória que, com algumas mudanças, poderiam dar um salto qualitativo, mas não o fazem. Aliás, quantos de nós não somos assim? Nós observamos os outros, a vida dos outros e pensamos: “mas fulano só precisava fazer isso para que tudo melhorasse”. E por que não faz? E por que não fazemos?

Preguiça, medo, treinamento. É, somos treinados para ter medo. “Antes um pássaro na mão do que dois voando”, e ficamos lá, segurando aquele passarinho até que ele sufoque e morra, eternamente insatisfeitos. Eu prefiro o ditado “É melhor se arrepender daquilo que você fez do que aquilo que você não fez”. O negócio é botar em prática. Por isso é que às vezes precisamos de uma intervenção externa para que enxerguemos a nossa vida, alguém capaz de olhar para nossa situação de fora, desapaixonadamente e nos ajudar a localizar as áreas de paralisia. Um terapeuta, um amigo mais experiente, até um inimigo que nos diz um desaforo (mas que é a mais pura verdade, ainda que dita com o intuito de ferir) pode ser esse fator externo. Mas é preciso uma grande dose de coragem para não se defender e ouvir o que vem do outro, ainda que nos fira, fira nosso ego, nossa personalidade narcisista (a maldição da geração moderna).

Tolerar o medo

“Vamos pensar na vida como um processo de escolhas, uma após a outra. A cada ponto existe uma progressão de escolha e uma regressão de escolhas. Poderá haver um movimento em direção à defesa, em direção à segurança, direção a ser medroso; mas por outro lado, existe uma escolha de crescimento. Para fazer uma escolha de crescimento, ao invés de temer escolhas, uma dúzia de vezes por dia é mover-se uma dúzia de vezes por dia em direção a auto realização” (Abraham H. Maslow).

Assustador? Precisamos aprender a tolerar o medo. Conviver com o medo sem paralisar é uma das primeiras etapas a serem superadas para conseguir se mantiver em movimento.

Operação Segurança

Segundo o Dr. Harry Stack Sullivan, no seu livro The Psychiatric Interview (1953), uma operação de segurança consiste em ajuste que resultam de uma percepção da realidade que é falsa ou inadequada. Uma vez que estamos operando neste modo, para manter esta visão da realidade, tendemos a negar e manter afastadas qualquer evidência que venha contradizer nossa atual percepção.

Buscamos consistência e predictabilidade e com isso escolhemos não ver as falhas no nosso sistema de segurança. Sullivan chama a este processo de “inatenção seletiva”.  Negação e defensividade fazem parte do modo de segurança e, segundo Sullivan, impedem a pessoa de lucrar com a experiência. Nesse processo, grande parte da energia que poderia ser destinada ao crescimento, é drenada para manter esta ‘realidade’ em funcionamento. Desse processo de drenagem vem a exaustão, a ansiedade e o estresse, ou seja, tudo aquilo que queremos evitar não assumindo riscos.

I Can and I Will

Por mais paradoxal que pareça ser, quando todos os nossos movimentos se dão em busca da segurança, significa que no fundo nos sentimos frágeis e inseguros. Só assumem riscos, aqueles que possuem segurança interior. A postura do “I can do” – eu posso fazer – é fruto da coragem de se sentir desconfortável com o novo, pois o “eu posso fazer” não significa “eu já sei fazer”, e sim que a pessoa resolveu assumir o desafio de fazer.

Um mantra pessoal que venho repetindo há algum tempo é “I can and I will” – eu posso e eu vou. Bem, só repetir o mantra não muda a vida de ninguém, mas repeti-lo me mantém lembrando a postura que quero ter. Então, fica a dica de afirmação positiva para o próximo ano: “Eu posso e eu vou”!

E eu já estou indo.

 

 

 

 

 

 

 

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Comentários

  1. * Roberta says:

    Gostei do texto. Faria somente algumas correções em relação à escrita, mas o conteúdo me foi útil. Valeu a leitura. Abraço.

    | Responder Publicado 6 years, 7 months ago
    • * Andrea Matta says:

      Oi Roberta, obrigada pelo alerta. Fiz a revisão e detectei vários erros.

      | Responder Publicado 6 years, 7 months ago


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